quinta-feira, 17 de maio de 2018

GUIÃO PARA UM FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO MILITAR


GUIÃO PARA UM FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO MILITAR

11/05/2018
“O principal problema da Democracia é a qualidade da Sociedade. Essa qualidade começa na Família. Naturalmente quem aleita é quem educa.”
                      Autor desconhecido
              (Mas lá que dá para pensar, dá…)


            Quartel-General das Forças de Estabilização da ONU na colónia, conhecida desde a Antiguidade, como Lua.
       “Oceanus Procellarum” – Oceano das Tormentas.
            Ordem de Serviço 666, em 11/5/2118. [1]

                        TROPAS!
            Como sabeis após o meu antecessor ter resolvido saltar em pára-quedas para fora do nosso querido e bem-amado Exército – esse infeliz que não teve estômago para acatar as tão sábias directrizes muito para a “frentex”, do nosso guia espiritual, o Azedo L., que devemos equiparar a Cipião, “o Africano”, depois da batalha de Zama – e que mesmo depois da oferta generosa de Belém, em reconsiderar, retorquiu que a força da gravidade (mais não fosse por isso) o impedia de voltar para dentro do avião de onde saltara…
            Deste modo eu assumi a ingrata, mas honrosa tarefa de vos dirigir (isso de “comandar” é areia demais para a minha camioneta) isto é, ao que resta de vós, da hoste que seguiu o grande Afonso, depois de ter batido na mãe, tendo vindo por aí abaixo levando tudo à frente, mesmo sem autorização de Bruxelas ou da Merkel (que por acaso se chama Kastner…). Bons tempos, ai, ai...
            E que belo caminho temos feito juntos desde então!
            Lembram-se de quando mesmo antes de estar nomeado, me passou uma coisa má pela cabeça e decidi, num ímpeto viril, despachar o vice, aquele cujo nome faz lembrar um célebre ciclista tuga, que pedalava como ó caraças?
            Ele à primeira ainda hesitou, mas à segunda lá foi com Deus, as almas santas e uns trovões da minha padroeira Bárbara!
            Depois foi preciso pôr ordem no Militar Colégio, agora que aquele Instituto freirático, cheio de mofo e de discriminação de género intolerável e fascista, sito ali para os lados de Odivelas, ter ficado devoluto e abandonado à espera de um qualquer negócio imobiliário que apareça!
            Resta apenas fazer desaparecer sem deixar rasto o túmulo do D. Dinis (que devia era ter ficado em Castela quando foi visitar o avô, Afonso X, o Sábio), que resolveu mandar plantar o pinhal de Leiria para agora virem umas mãos criminosas deitarem-lhe fogo (eu disse, criminosas? Desculpem, pois foi certamente um descuido inocente, ou então uma acção de alguém alienado, vítima desta sociedade machista, capitalista, racista, xenófoba, homofóbica e preconceituosa!).[2]
            Mas é bem feito! O colonialista do Dinis não tinha nada que mandar vir almirantes de Génova e fundar a Armada que agora diz que é antiga como ó carbono e desfila no Terreiro do Paço a soprar 700 velas!
            Agora estão tramados pois já não vão ter madeira nem para barcoletas a remos!
            Ocorre-me à memória, porém, ó tropas, que vou ter que reconverter parte de vós -senão a totalidade - em bombeiros (voluntários, é claro), o que não deixa de ser uma velha aspiração dos nossos maiores, pois não é muito melhor sermos os soldados da paz em vez de sermos os soldados da guerra?
            Eu já dei o exemplo e já peguei na foice e no martelo, perdão na maquineta roçadeira e andei a capinar, mesmo chegadinho àquele que se orgulha de ser o primeiro - ministro descendente de indianos da União Europeia. E eu a julgar que ele era descendente de portugueses?!
            Até ia dando uma cambalhota à retaguarda, coisa até, que já não me lembrava de fazer desde os meus tempos infráticos (eu disse infráticos? Que as juventudes partidárias me desculpem, pois nunca concordei com tais práticas, abrenúncio).
            Mas, ó tropas, empolguei-me e já me esquecia que estava no Militar Colégio, que eu consegui meter na ordem, essa cáfila elitista que eu, a custo, tolero.
            Aquilo foi tudo raso: internato; comando; oficiais reguilas; ameaças de boiada, etc., e ainda espero acabar com a avaliação para democratizar tudo devidamente, agora que acabei com a discriminação sexual intolerável como muito bem apontou o farol da nossa existência - o Azedo L. - que Napoleão se fosse vivo não desdenharia escolher para Marechal de França (ele até que se desenrasca bem no francês e tudo!).
            Prometo-vos que não descansarei enquanto não conseguir uniformizar a coberta das camas de todos os quartéis e camaratas, nas cores do arco-íris!
                                                                   *****
            E aquela táctica utilizada num memorável Conselho Superior Militar - só equiparada à importância do uso de armas de tiro tenso na conquista de pontos de cota mais elevada!?
            Estava uma lista feita para promoções já devidamente escorada e sedimentada, quando os nossos amigos na Administração Interna, na GNR e outros, sempre vigilantes, alertaram para os perigos que tal ordenação implicava na justiça do mérito relativo (obviamente) e tal nos levou no mais acertado “flick flack” à retaguarda (esta da retaguarda, hoje anda-me a perseguir!) e mandei alterar aquilo tudo.
            Deu um foguetório, só suplantado pelo do fim do ano na Madeira, que meteu o general - maior, transferências mágicas de oficiais generais, alteração de ordens de serviço, pressões de bastidores, etc., mas rematei a coisa com um pedido de parecer (ajuda...), para a PGR - numa atitude que eu próprio não sei classificar, mas que foi no mínimo brilhante, que até ofusca - e a coisa acabou por morrer.
            Foi tudo um processo que faria corar o Maquiavel onde acabei com a carreira a pelo menos, dois camaradas, mas que é isso comparado com a largura do meu ego medido em milímetros?
                                                               *****
            Andava eu nesta gloriosa cruzada – que deixo aqui claro, nada ter a ver com aquelas levadas a cabo no obscurantismo medievo – quando alguns dos meus dilectos camaradas generais me abandonaram, deixando-me meses praticamente sozinho à testa deste “galho”, outrora Ramo altaneiro e pujante! Os ingratos!
            E digo praticamente, pois fui salvo “in extremis”, pelo último dos moicanos – a quem apesar de tudo, pouco ligo – que a pedido de muitas famílias e condoído da queda livre em que a coisa estava (isto de surripiar os pára-quedistas para o Exército não foi nada boa ideia, mesmo nadinha, mas eu na altura ainda usava fraldas e não me apercebi), lá continuou a carregar a cruz e ficou!
            E que dizer dos generais antigos como o biscoito das caravelas, que sistematicamente faltam às festas e cerimónias para que os convido, pois não querem encarar o meu “fácies enconátus”, tão pouco cumprimentar-me?
            Já sei, são uns invejosos, pois não se equiparam ao ilustre ocupante de S. Julião da Barra, o Azedo L, que corajosamente – e com toda a sua pilosidade firme e hirta e voltada para a frente - enfrenta o fantasma do infortunado Gomes Freire cujas cinzas foram, por ali perto, deitados aleivosamente ao mar!
            Todavia, a minha coroa de glória estava para vir!
            Estava eu (sempre eu!) quase a resolver o problema dos paióis sitos no “Mar de Tancorum”, já tendo obtido as necessárias verbas, conseguidas pelo maior estratega da defesa, o Azedo L. - que reduz Tucídides e a sua “Guerra do Peloponeso”, a um cisco - dizia, uma ronda do meu glorioso Exército voluntaríssimo, que nem munições reais pode usar, descobriu um buraco na vedação (qual linha Maginot, qual quê!) e após apurada investigação alguém deu conta que um paiol tinha sido profanado.
              Foi como se a virgindade do Exército tivesse sido corrompida (a Honra, essa, tinha sido perdida nos idos da “Descolonização” e ainda não foi reposta…), sem uma gota de sangue ser vertida!
            Sabe-se lá como e porquê, a notícia chegou aos jornais tendo caído o Carmo e a Trindade (enfim já estavam caídos, desde o terramoto de 1755…).
            Mas, ó tropas, eu, o vosso Director, reagi como um leão e fui-me a eles como Santiago aos mouros – sem ofensa é claro, para os dilectos seguidores de Allah, o “Misericordioso”.
            O que eu fiz, meu Deus: dei entrevistas, disse uma coisa e o seu contrário, aquilo meteu luta e até o meu querido superior hierárquico (não me estou a referir agora à luz que me orienta (o Azedo L.) que soube já ter o futuro garantido, pois foi-lhe oferecido um lugar de consultor no Pentágono para as relações com o futuro Exército Europeu), mas sim ao meu camarada infantaroco que até levou um murro no estomago durante a contenda. (Era para isso, aliás, que o saudoso Xico da Mouraria nos preparava nas aulas de boxe)
            E vejam como ficou tudo esclarecido, tim tim por tim tim (só não entendo é por que o Senhor Comandante Supremo, continua com aquelas diatribes sobre querer saber mais coisas) e no fim poupei uma palete de massa ao contribuinte, dizendo que já não queria nada com aqueles paióis (ficam para o pessoal do “Barrote ao Alto” fazerem exercícios de demolição por implosão) e fui-me para a Santa (Margaridorum) e quando por obra e graça do Espírito Santo, o material desaparecido (será que desapareceu mesmo?) deu à costa numa mata da Chamusca, eu até recuperei uma caixa a mais!
             A SIC, por exemplo, ficou tão contente que até apresentou várias vezes, imagens todas catitas da minha pessoa!
              E para que a minha autoridade não fosse posta em causa (nem chamuscada a imagem do nosso inspirador, o Azedo L., que – vejam só - se confessou emocionado, após ter lido o antigo Regulamento Geral de Serviço de Campanha, de quando Portugal tinha Exército, e se sentia agora capaz de avançar contra o inimigo “dando gritos selvagens, tais como Viva a Pátria”, dizia, num atrevimento legislativo inaudito, decidi exonerar temporariamente, os comandantes das unidades da área de Tancorum, à falta de perceber quem é que mandava naquele aborto organizacional todo!
            E depois de tudo esclarecido – como se viu – lá os reconduzi nas funções, a bem da paz e da concórdia (e também da falta de vergonha na cara).
            E eles, coitados, lá aceitaram tudo, até porque não tinham tempo sequer, para passar à reserva…
            Isto é o que se chama triunfar em toda a linha, ó tropas!
                                                                  *****
            Mas nem com todos estes exemplos de liderança que irão marcar o ensino nas Academias Militares (perdão nos “campus da defesa”) futuros, consegui sossegar alguns de vós.
            Refiro-me a esses “brutos” que acampam ali para os lados da depressão lunar da “Carregueirorum” e que contra todas as regras da camuflagem têm o estranho hábito de usar uma peça de tecido redondo na cabeça, de cor vermelha!
            Já sei, vou despachá-los para Marte, o planeta da mesma cor, aí já ninguém os vê, além de que é quente!
            Mas enquanto isso não acontece vou mudar o nome deles para “centro de escuteiros, bem comportados”, para ver se deixam de andar a querer brincar aos soldados a sério, e correrem o risco de morrerem no caminho…
            E depois ter essa procissão toda de procuradores e jornalistas do mais fino recorte e cheios de boas intenções justiceiras, à perna?
            Uma maçada!
            Por isso, ó tropas, estou a pensar fazer deles além de escuteiros, uma reserva táctica debaixo das ordens da Protecção Civil, essa extraordinária organização babilónia, que está prestes a constituir-se como a quinta-essência desta (apodrecida) III República!
            E vão ver, ó tropas, como ainda vereis um Presidente dessa Protecção Civil arvorado em Marechal, com oito estrelas douradas e dois bastões. Um para cada mão.
            Como eu vejo à frente!
            Mas com tudo isto em mente não consegui domar aqueles que ajudaram a impedir aquela cáfila toda da comunagem e tarados a esmo, de tomar o Poder nos idos de 1975.
            Os gajos tiram-me do sério!
            Tive o azar de lá colocar um tipo assim a modos que avantajado e não é que o ímpio começou a falar grosso?
            Ah, mas eu mandei vir da cratera da Santa, uma bataria autopropulsionada de 15,5, regulei a alça e pulverizei-o!
            O impertinente teve o despautério de não seguir as minhas sugestões, quando lhe pedi o último discurso para revisão gramatical (o que nada tem a ver com o que faziam os meus camaradas serôdios, munidos de lápis azul do antigamente)!
            E eu, cheio de boas intenções, ainda o deixei falar e não é que o desobediente disse o que a sua cabeça pensava e a sua consciência ditava? Que estranho Carácter!
            Aí fiquei furibundo e só não lhe fui aos fagotes, pois o tipo parece uma parede e ri-se pouco, mas invectivei-o como um (mau) mestre-escola faz aos gaiatos.
            Isto passando-se apesar de haver várias pessoas presentes a ouvirem, as quais se afastaram pudicamente (fiquei até a pensar, muito mais tarde, se não seria por coisas destas que os generais de outros tempos se afastam dos locais onde me desloco).
            E como quem mas faz, paga-mas – segundo, aliás, uma velha prédica desse farol, o PS, que nos ilumina, como se tem visto – guardei a vingança para mim e não disse a ninguém – ou não será a surpresa, um dos princípios da guerra? – e na primeira oportunidade despedi-o, acusando-o de andar a dizer a verdade aos quatro ventos!
            Onde já se viu uma coisa assim?
            E que melhor ocasião para o fazer do que no fim de um almoço em dia festivo, mesmo saltando por cima da cadeia hierárquica?
            Ou não será almoçar fora, ao contrário do futebol, o verdadeiro desporto nacional?! (Aqui para nós que ninguém nos ouve até já pensei contratar o trineto de um tipo que se chamava Bruno de Carvalho, para meu assessor…).
            Sem embargo, consultei uns oráculos (de Delfos) e já não vou despachar o dito cujo no dia 12, fica para depois de 29 do corrente, mas com a condição (!) de não haver mais discursos, ou a coisa sair inócua…
            Estou pois, ó tropas, ufano de mim mesmo e não queria deixar passar em claro este momento de felicidade e de alto exemplo castrense e épico, sem o partilhar convosco e assim aumentar o vosso Moral.
            Que eu já sabia que era alto, mas assim, fica melhor.

            Quartel (isto é, campus da defesa), em Mar das Tormentas, 11 de Maio de 2118.

                                                           (Assinatura ilegível)
                                                        Chaparro, o deslumbradinho.
                                              (Segue-se salva de 17 tiros de pólvora – seca)

                                                              *****
            O guião deste filme foi enviado para a Academia de Hollywood.
            A resposta foi rápida e o filme foi chumbado.
            O argumento começou por ser passado do departamento de filmes de ficção científica, para o departamento dos filmes de terror.
            Ali foi rejeitado por ser demasiado téctrico e impróprio para menores de 65 anos (o que não configurava qualquer lucro na bilheteira), sequer para passar na “Casa dos Segredos”.
            Como nota adicional e “post-scriptum”, afirmaram que o argumento era mau demais para ser verdade, mesmo em filme.
             A resposta foi remetida para o Campus da Defesa, para o Campus de S. Bento, para o Campus de Belém e para o campus dos comentadores.
            Por uma vez, não se conhecem reacções.



                                                 João José Brandão Ferreira
                                                      Oficial Piloto Aviador


[1] “Oceanus Procellarum” é o maior dos mares lunares, que se estende por 2.500 km de comprimento, formado por lava basáltica que cobre toda a superfície. Foi lá que pousou a Apolo 12, a segunda missão tripulada a pousar na Lua.
[2] E “populistas”, já me esquecia e está muito na moda…

sábado, 12 de maio de 2018

Processo Manuel Alegre VS Brandão Ferreira

Caríssimos Compatriotas
Patrocinei o Ten. Cor. PILAV Brandão Ferreira no processo crime que lhe foi movido pelo Vate de Argel porque o BF entendeu, e bem, que uma criatura que se aliara, objectivamente, aos movimentos que nos emboscavam em África não podia ser Comandante Supremo das Forças Armadas (cargo que é inerente ao Presidente da República em conformidade com o artº 120º da CRP).
O artigo tinha por título “Manuel Alegre Combatente por Quem?” e é uma peça de antologia que merece ser lida e com a qual também comungo, in totu! – Cfr. anexo -.
Na primeira instância a Meritíssima Juiz absolveu o BF sustentando, e bem, que o candidato devia ser escrutinado pelos cidadãos do Portugal que restou, sendo legitimo questionar a bondade da candidatura de Manuel Alegre a Presidente da República. O acto do BF merecia o conforto do artº 10º da C.E.D.H.
A douta sentença foi confirmada por douto acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, onde, a certo passo, se escreveu:
ouvida toda a prova produzida em audiência de julgamento…” o Tribunal concluiu que o BF não cometeu qualquer crime!
Note-se que na audiência de julgamento sufragaram o artigo supra citado as seguintes testemunhas, por nós arroladas:
- General José Lemos Ferreira;
- Almirante Nuno Vieira Matias;
- Maj. General Heitor Almendra;
- Coronel Alberto Ribeiro Soares;
- Coronel Raúl Folques;
- Eng.º João Corte Real (Oficial Miliciano Veterano da Guerra de África);
- D. Miguel de Lencastre (ibidem);
- Major da FAP António Lobato (o mais bravo Português que o signatário conhece);
- Coronel de Cavalaria e Advogado Carlos Anselmo de Oliveira Soares;
- Maj. PILAV Carlos Baptista Acabado;
- Eliseu Ferreira Dias (bravo combatente civil no Norte de Angola).
Também na fase de instrução o saudoso Comandante Alpoim Calvão, no depoimento de 29.7.2011, disse que subscreveria o artigo do BF.
Nas testemunhas arroladas pelo triste Poeta a maioria é filiada no Grande Oriente Lusitano (v.g dois ex-Grão-Mestres) organização que é tipificada, por muito boa gente, como uma associação de malfeitores destinada à prática de crimes de tráfico de influências… Enfim, opiniões…
Uma luminária, um tal ex- padre Doutorado em Ética, Luís Moita, “bateu-se com bravura” pelos ideias da sargeta: afirmou que se dedicava a recortar a segunda página do velho Diário de Notícias (onde constava o nome dos nossos Camaradas que tombaram no Campo da Verdade e da Honra) que, depois, era difundida, repetidamente, na “Rádio Voz da Liberdade” (a das amplas do tio José Staline), imprimindo-lhe um efeito multiplicador de baixas que não correspondiam à verdade.
Aliás, na 1ª instância, a Distinta Juiz, assinalou, com desagrado, a “ousadia” do “combatente” do sofá de veludo vermelho, quando a criatura confessou ser irrelevante que a mentira afectasse psicologicamente os nossos camaradas que combatiam em África. Um primor de ética republicana… Norton de Matos, que era republicano, não desejaria, certamente, ter como “companheiro de caminho” aquele troglodita.
Estávamos, por isso, “postos em sossego”, após a notificação do magistral acórdão da Relação de Lisboa, relatado pelo hoje Desembargador Jubilado Carlos Benido, quando fomos confrontados com a declaração de nulidade do mesmo porquanto o novo advogado do Vate (seu filho) que recebera substabelecimento do Nuno Godinho de Matos (que patrocinava o seu companheiro de partido até ao recurso para o Tribunal da Relação), não foi notificado de um Parecer do M.P, junto deste Tribunal, parecer concordante com a posição do MP da 1ª Instância mas que fora notificado ao Godinho de Matos (este deveria enviar o dito para o Colega).
Todavia, e em conformidade com o artº 417º do CPP, limitando-se o MP a apor o seu visto (ou a sufragar o que o inferior hierárquico disse e de acordo com a melhor doutrina) o parecer não necessita ser notificado porque “não tira nem põe seja o que for no trânsito processual”.   
Enfim…há sempre, nos Tribunais, algumas “perplexidades” difíceis de engolir.
Como o Código de Processo Penal, aprovado pelo Dec. Lei 78/87, foi fabricado no Olimpo por sábios que estavam a ser servidos por Baco, revogando o de 1929 (que era velho e bom, como o melhor Vinho do Porto), o Direito ficou mais torto!
De tal sorte que, inopinadamente, e em claríssima violação do princípio do juiz natural ou juiz legal, se constitui uma nova formação de juízes – cujo relator – Antero Luís – é um conterrâneo de Armando Vara – passando Vinhais a ser a terra dos robalos, perdendo o nobre estatuto de capital dos enchidos – que tira um novo acórdão contradizendo o anterior – que havia sido lavrado por pessoa mais avisada e sabedora -.
Onde se considera “inconstitucional” o artº 10º da CEDH (isto é, o princípio da Liberdade de expressão ou de opinião) e condena o nosso Camarada Brandão Ferreira a pesada multa (1.800,00€) e desmesurada indemnização (25.000,00€, acrescida de juros) que permitirá ao Vate prolongar os seus fins de semana protegendo a natureza com a sua caçadeira Purdey…
Desconheciam a razão que levou o triste Vate a liquidar o jornal “O Século” quando foi Governante?
A Liberdade socialista não se compagina com a de expressão quando esta não é servil aos camaradas socráticos e quejandos.
Recorde-se, aliás, que o condecoradíssimo poeta amava “o sol da terra” e só se desligou da foice e do martelo uns largos tempos após a Primavera de Praga, mas apoiou, sem margem para contradita, o carrasco dos então satélites da URSS durante largos e maduros anos.
Há, por vezes, “esquecimentos muito bem alembrados” como nos ensinou Fernão Lopes (in casu, por bons motivos).
E não é despicienda a leitura da obra do prematuramente falecido historiador José Freire Antunes – Cfr. pág. 685 a 692; 910;911 e 916 do II Volume da obra “A Guerra de África 1961-1974”, Ed. Do Círculo de Leitores de 1995 – e o que constava do “cadastro” on-line do aliado dos “Libertadores” marxistas, designadamente, o “carinho” com que os tratava com o fiel amigo (M.A dixit). Daquela obra se plasma a pesporrente entrevista do triste Poeta!
A confissão é sublime.
Considerando a violação do princípio do juiz natural – artº 32º, nº9 da Constituição – que o Código de Processo Penal não comina com a nulidade (os vapores do néctar servidos por Baco dão estes efeitos), foi interposto recurso para o Tribunal Constitucional.
De forma capciosa e deveras arrevesada, a “sinistra” que domina o Palácio Raton, entendeu não conhecer a questão de fundo – a violação do referido princípio – sustentando, contra a Verdade, que essa questão não foi suscitada a tempo. Só foi possível suscitá-la quando se tomou conhecimento do acórdão surpresa e, nesse momento, é que se soube que eram outros os juízes que o lavraram!!!
Viva, pois, a “democracia totalitária” que capturou, também, os tribunais.
Só apelando à Ramalhal figura é que este sítio, muito mal frequentado, poderá atinar.
Sem mocas de Rio Maior ou porrinhos africanos não sairemos desta “apagada e vil tristeza”.
Mui “democraticamente” o Tribunal Constitucional cuidou adequado que o nosso inconformado guerreiro fosse condenado a pagar, de custas, a módica quantia de €1530,00 pela grande trabalheira que tiveram para não conhecer da bondade dos nossos argumentos.
Ai topamos o “Buraco do Esgoto”, vulgo Bloco de Esquerda, que além de marcar o ritmo da “geringonça” pontifica, outrossim, no Palácio Raton….
Feito este excurso, para enquadrar o propósito da missiva, cuido não ser atrevimento solicitar-vos ajuda para o nosso combatente Brandão Ferreira.
Um Ten. Coronel reformado, que nunca teve assento nos conselhos de Administração dos vários BES que pululam, quais cogumelos, no rectângulo a que, por cobardia dos abrilistas, ficámos reduzidos, não tem possibilidade de pagar o que injustamente está obrigado a pagar.
Indemnização cível, juros; custas processuais; multa criminal; rondará os € 30.000,00 (trinta mil euros).
Porque o Ten. Cor. Brandão Ferreira usa, como canhões, as palavras para afirmar Portugal, o seu combate é o nosso combate.
Devemos-lhe o seu desassombro e o seu amor pela Verdade.
 A omissão de auxílio, in casu, constitui, a meu ver, uma corrupção dos bons costumes a que nos habituaram os nossos maiores.
O NIB que receberá a nossa contribuição – em nome de seu filho – é o seguinte: 0010 0000 3321 0480 00 25 9
Ajudem a ajudar ….
Grato pela vossa paciência.
Queiram aceitar os meus melhores e mais respeitosos cumprimentos.

P.S (Salvo seja) : Sairá, antes do Natal, uma prenda para o Vate.
Um livrinho sobre o processo com a transcrição dos depoimentos das testemunhas e outras pérolas.
Alguém irá morrer como os grilos…

ALEXANDRE LAFAYETTE
Advogado

terça-feira, 17 de abril de 2018

Concentração em Belém é esta quarta-feira, 18 de Abril




PAIS INDIGNADOS 
COM A APROVAÇÃO DA NOVA LEI DA AUTODETERMINAÇÃO DE GÉNERO A PARTIR DOS 16 ANOS
 
juntam-se em vigília de protesto, dia 18 de Abril, na próxima 4a feira às 20 horas, em frente ao Palácio de Belém para demonstrar ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a não resignação das famílias portuguesas perante uma lei que não promove o verdadeiro respeito pela dignidade da pessoa humana, e pode comprometer fortemente a felicidade e o futuro de muitos jovens.
A Assembleia da República aprovou a mudança de sexo no registo civil a partir dos 16 anos. A aprovação com 109 votos a favor e 106 contra. Por diferença de três votos o PS, Bloco de Esquerda e PAN votaram a favor e a lei passou com a abstenção do PCP. Não queremos esta lei! BASTA!
Quando uma pessoa, jovem ou não, se confronta com questões de identidade, deverá procurar apoio médico que realmente a ajude, e não satisfazer os desejos contrários à sua própria natureza humana, dignidade e felicidade. Muitas vezes são distúrbios, mais ou menos passageiros, que poderão ter origem em diferentes fatores e que só os profissionais da medicina podem avaliar devidamente e atuar em conformidade de modo a tratar o problema em causa.
Na idade adolescente, ainda em nítida fase de desenvolvimento quer físico quer emocional, acresce um enorme risco de abundantes problemas psíquicos, psicológicos, sociais e emocionais em virtude de uma tomada de decisão deste “calibre”, altamente impactante e com efeitos profundos em TODA a pessoa, e em TODAS as suas dimensões humanas.
Que consequências virão destas leis? Quantas vidas estragadas, rotas, sem sentido? Quantos projetos de felicidade ficarão pelo caminho numa busca incessante de repostas que ninguém conseguirá dar? Quantas vidas terminadas precocemente? Que sociedade estaremos a construir?
É preciso pensar profundamente em todas estas questões, pois temos nós todos, e os senhores deputados por excelência, uma gigante responsabilidade perante os nossos filhos e netos.
Como cidadãos e contribuintes, pagamos os nossos impostos a tempo e horas, e não desejamos e não queremos ver o nosso dinheiro ser aplicado em tais “atrocidades” que estragarão tantas vidas!
Associação Plataforma Pensar&Debater
sigam o evento na pagina do Facebook
Assessoria de Imprensa
Marta Roque- tlm 96 133 21 84
 

Assine a petição, clique aqui: "Não à Proposta de Lei nº. 75/XIIII".

Assine a petição, clique aqui: "Petição para não promulgar a legislação". 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O Cristo das Trincheiras no Mosteiro da Batalha


Quando visitares o Mosteiro da Batalha, não te esqueças de procurar esta imagem mutilada de Cristo, tão carregada de História...
Reconheço a minha ignorância, pelo que partilho.
Quando lá voltar vou olhá-lo de forma diferente.
O "Cristo das trincheiras": uma História que vale a pena ver e contar!

 
 Na Guerra de 14-18, no sector português da Flandres, entre as localidades de Lacouture e Neuve-Chapelle, encontrava-se um cruzeiro com um Cristo pregado numa cruz de madeira, que dominava a paisagem da planície envolvente.
A imagem deste Cristo não era, obviamente, portuguesa, mas encontrava-se na zona defendida pelo Corpo Expedicionário Português durante a ofensiva alemã que quase destruiu a 2ª Divisão de Infantaria.
No dia 9 de Abril de 1918, durante horas a fio, sobre aquela planície caiu uma tempestade de fogo de artilharia, que a metralhou, a incendiou e a revolveu.
Era a ofensiva da Primavera de 1918 do exército alemão.
A povoação de Neuve-Chapelle quase desapareceu do mapa, de tão transformada em escombros.
A área ficou juncada de cadáveres e, entre estes, jaziam 7.500 portugueses da 2ª Divisão do CEP, mortos ou agonizantes.
No final da luta apenas o Cristo se mantinha de pé, mas também mutilado: a batalha decepou-lhe as pernas, o braço direito e uma bala varou-lhe o peito.
Mas, no meio do caos, foi trazida pelos militares que conseguiram reagrupar-se e regressar às linhas aliadas
É quase inimaginável que, debaixo das barragens de artilharia alemãs, que dizimaram grande parte do contingente português, a opção de alguns militares fosse a de trazer consigo a imagem de Cristo, severamente danificada, e a colocassem em local seguro onde pudesse ser novamente venerada.
Em 1958 o Governo Português fez saber ao Governo Francês o desejo de possuir aquele Cristo mutilado : tornara-se um símbolo da Fé e do Patriotismo nacional e passou a ser conhecido como o "Cristo das Trincheiras".
A imagem foi acompanhada desde França por uma delegação de portugueses, antigos combatentes da Grande Guerra, que residiam em França, e por uma delegação de deputados franceses, chefiada pelo Coronel Louis Christian.
Chegou a Lisboa de avião no dia 4 de abril de 1958, uma Sexta-feira Santa, e ficou em exposição e veneração na capela do edifício da Escola do Exército até 8 de Abril - as cerimónias foram apoteóticas, milhares de portugueses desfilaram perante a imagem em Lisboa.
No dia 8 de Abril a imagem foi transportada num carro militar para o Mosteiro da  Batalha, sem qualquer cerimonial especial, e aí ficou exposta na sala do refeitório do mosteiro para no dia seguinte, 9 de Abril, se efectuar a entrega oficial.
No dia 9 de Abril, pelas 11 horas, começaram a concentrar-se junto ao Mosteiro numerosas entidades civis e militares, entre elas os Embaixadores de Portugal em França e de França em Portugal, os Adidos Militares da França, da Bélgica e dos Estados Unidos, as altas patentes portuguesas do Exército, Marinha e da Força Aérea.
Ao meio-dia iniciaram-se as cerimónias com a chegada do Coronel Louis Christian (França) e o Ministro da Defesa de Portugal Coronel Santos Costa.
A guarda de honra foi prestada por um Batalhão do Regimento de Infantaria N.º 7, Leiria.
O "Cristo das Trincheiras" foi então levado para a sala do Capítulo, estando o andor que o transportou ao cuidado de representantes da Liga dos Combatentes da Grande Guerra.
Aí deposto sobre um pequeno plinto adamascado, à cabeceira do túmulo do "Soldado Desconhecido".
Terminadas as orações, o Adido Militar Francês, Coronel Revault d'Allonnes, conferiu aos dois "Soldados Desconhecidos" duas Cruzes de Guerra, as quais foram depositadas sobre a campa rasa.
A fanfarra do Regimento de Infantaria n.º 19, de Chaves, tocou a silêncio no final da cerimónia, enquanto uma Bateria de Artilharia do Regimento de Artilharia Ligeira de Leiria, salvava com 19 tiros.
Mais do que um episódio ocorrido durante a 1ª Guerra Mundial, o "Cristo das Trincheiras" simboliza a fé que manteve os militares portugueses na linha de frente durante um par de anos, praticamente sem licenças, mal abastecidos, sentindo-se abandonados por quem os enviou para combater por algo que a maioria não entendia.


 O Cristo das Trincheiras no Mosteiro da Batalha